Sinal Vermelho
Guy Blanc
Atraído pela plasticidade das performances, pelo non sense, pela abstração e fugacidade, pela composição dos elementos contidos nas cenas, o artista, bem ao estilo francês, durante um ano e meio flanou pelas ruas, avenidas, cruzamentos de Brasília, capturando imagens de malabaristas e da realidade circundante, bailarinos solitários em cenário urbano.
O questionamento acerca do tempo, ou do não-tempo, ou do tempo retido pelo SINAL VERMELHO foi, também, decisivo para a concepção da exposição. Tema provocador e norteador, definidor do conteúdo, ou do não-conteúdo, no cerne de uma realidade surreal, presente ou ausente nas coreografias.
O terceiro eixo da criação, grandezas intimamente relacionadas, os malabaristas, artistas anônimos e invisíveis versus motoristas, platéias desatentas, resignados ao conforto fácil da indiferença. E é nesta passarela improvisada, onde se entrelaçam as trajetórias de vida desses personagens mutantes, que o artista concebeu a mostra SINAL VERMELHO.
Guy Blanc apropriou-se dos gestos, dos filamentos das luzes e de panos de sombras, da multiplicidade de formas e, a partir desses elementos, retratou um universo de figuras de contornos lúdicos, substrato do tempo, o visível engendrando pelo caminho do abstrato.Suas obras são despidas dos atributos clássicos da fotografia, alicerçadas, contudo, na experiência, no domínio da técnica, o que permitiu ao artista explorar novos caminos e revelar, com sensibilidade, a admiração pela expressão humana.
A sofisticação emerge exatamente dessa atitude.
Fotógrafo francês, residente em Brasília, tem por especialidade fotografia de elementos arquitetônicos. Com vasto portfólio, visão artística apurada pelos anos de atuação como cineasta, diretor de documentários, de filmes de publicidade e de marketing político, realizou, várias mostras fotográficas, dentre as quais, Brasília -Paris, Olhares Cruzados, Entrelinhas, Coordenadas Poéticas: Brasília - Entre Eixos | Entrelinhas.
Curadora Maria Terezinha Donati